Análise PlayStation 4: 1 ano depois

Você se lembra do que você estava fazendo há exatamente 1 ano atrás? No dia 15 de novembro de 2013, uma sexta-feira, lá estava eu às 5 da manhã em uma fila esperando pelo lançamento do PlayStation 4 (e uma semana depois eu repetiria o mesmo ritual com o Xbox One). Hoje, exatamente 1 ano depois do seu lançamento, milhões de unidades vendidas e dezenas de jogos lançados, que tal uma avaliação do já não tão novo console da Sony?

Se você deu uma olhada na minha análise de 6 meses do PS4 não se desespere: a análise de hoje não vai ser tão longa! Mas eu vou passar pelos mesmos pontos principais que abordei na época. Então vamos lá?

Começando pelo hardware

Em relação ao hardware a minha opinião não mudou: o console tem um design atraente e compacto (principalmente em relação ao Xbox One). Mas alguns pequenos problemas ainda estão presentes. O console esquenta um pouco e é mais barulhento do que o Xbox One ou o Wii U, por exemplo. Em releção ao barulho, não é nada absurdo, mas a ventoinha entra em ação com mais frequência do que nos outros consoles. Talvez uma revisão futura melhore pelo menos o barulho.PS4 - Hardware

Já em relação ao controle eu nunca fui exatamente um fã do DualShock (sempre o achei pequeno e pouco confortável). Mas eu admito que a Sony fez um ótimo trabalho com o DualShock 4. O controle é maior, muito mais confortável e o design do contorno dos analógicos facilita o trabalho para o dedão. Vale destacar que muitas pessoas tiveram problemas com a durabilidade dos direcionais e a Sony até se ofereceu para trocar os controles nesses casos. Mas eu até o momento não tive nenhum problema com eles.

Agora um ponto negativo do Dual Shock 4 é a sua barra de luz que não pode ser desligada. O treco simplesmente insiste em ficar brilhando. O update 1.70 trouxe uma opção para configurar a intensidade do brilho, mas que tal uma opção para DESLIGAR? Talvez seja implicância minha mas o reflexo dessa luz incomoda!

Interface: evolução da XMB

Ok, para quem estava acostumado com a XMB do PS3 a interface do PS4 é uma verdadeira evolução: ela é mais rápida e melhor organizada. A multi-tarefa é muito bem-vinda e você consegue alternar entre um jogo/aplicação e a tela principal rapidamente. Mas depois de algumas horas de uso e dezenas de jogos instalados é que você começa a perceber as suas várias limitações. O melhor exemplo dessas limitações é a organização dos jogos na tela principal. Com meia-dúzia de jogos você não terá problemas. Mas basta acumular mais de 20 jogos para começar a se perguntar como a Sony permitiu que tal interface tenha sido lançada! Não dá para organizar os jogos ou aplicações: tudo o que você tem é uma lista infinita, ordenada pela última utilização, onde tudo o que você pode fazeré deslizar para os lados e nada mais. Nada de categorias, pastas, pesquisa ou ordenação.

PS4 UI

Assim como todo software, a interface do PS4 evoluiu desde o lançamento, principalmente com duas atualizações grandes lançadas pela Sony: a 1.70 em abril e mais recentemente a 2.0. Porém para o problema da organização de jogos a “solução” da Sony foi limitar o número de itens em 15 na tela principal e mover o restante para a biblioteca (library). Problema resolvido? Não! A tela principal deveria ser customizável e permitir que cada um escolha quais jogos/aplicações exibir. Ou pelo menos oferecer uma melhor maneira de organizar, com pastas e um método de ordenação.

Acho que algumas melhorias que a Sony fez foram bem-vindas mas o ritmo de atualização, principalmente se comparado ao da Microsoft no Xbox One com os updates mensais, ainda é lento. Uma funcionalidade que eu gostaria muito de ver no PlayStation 4 é a possibilidade de suspender o console durante um jogo e quando ligar novamente voltar exatamente de onde eu estava, assim como no Xbox One. Vamos ver se em 2015 isso se torna possível!

Capacidades multimídia (?)

As capacidades de mídia do console são bem limitadas. Não somente o console não suporta o padrão DLNA, que permite, por exemplo, reproduzir via streaming um vídeo armazenado no seu computador diretamente no console, como também não permite sequer reproduzir CDs de áudio ou mesmo arquivos MP3. Talvez o público interessado nisso tudo seja pequeno, mas de qualquer maneira é sempre bom ter opções, o que está longe de ser o caso quando o assunto é mídia no PS4. E para piorar, o PS3 suporta todos esses recursos! Para começar seria ótimo ter o suporte DLNA no console. A Sony já declarou que pode pensar no assunto caso exista uma demanda por parte dos usuários. Pois bem, onde eu assino?

Pioraram a PS Plus!

Quer jogar online no PS4? Salvo algumas raras exceções, agora voce vai precisar de uma assinatura da PS Plus. Essa foi uma das grandes mudanças em relação ao mesmo serviço no PS3. Outra: onde estão os trials? E o que falar sobre a Instant Game Collection, aquele programa preferido de 10 entre 10 gamers que disponibiliza todo mês 2 jogos de graça para os assinantes? Bom, basta dizer que enquanto no PS3 nós “ganhamos” BioShock Infinite e Tomb Raider, no PS4 nós somos “brindados” com Basement Crawl e Sports Rival. Knack e Killzone Shadow Fall, por exemplo, já poderiam ter aparecido na coleção.

No geral a PS Plus no PS4 piorou em relação ao mesmo serviço disponível no PS3. Com o PS4 a jogatina multiplayer deixou de ser de graça e qualidade dos jogos oferecidos está longe de ser unanimidade.

Jogos

O lançamento do PS4 deixou muito a desejar em relação aos games. Um punhado de jogos também disponíveis em outras plataformas (PS3, Xbox 360) e dois jogos de “peso” exclusivos: Knack e Killzone: Shadow Fall. Sem falar no ótimo Resogun. No final do março chegou o bom inFAMOUS Second Son, em agosto foi a vez de Last of Us Remastered e Infamous First Light; e finalmente em outubro tivemos Driveclub. Além de uma coleção de jogos Indies, alguns exclusivos para o console da Sony mas já lançados em outros serviços, como Spelunky e Rogue Legacy. E esse é o balanço dos exclusivos para o console da Sony. Pouco? Sim, tanto em quantidade como em qualidade. “Mas isso é normal no primeiro ano de um novo console!“. Certo? Não pessoal, basta dar uma olhada na lista de exclusivos lançados no primeiro ano do PS2 e do PS3.inFAMOUS Second Son

Nesse primeiro ano a Sony adotou uma estratégia focada nos games Indies, alguns exclusivos e jogos F2P (Free-to-Play). Graças ao apoio dos desenvolvedores independentes o console se manteve abastecido com alguns bons jogos como Outlast e TowerFall, além dos multi-plataforma como Tomb Raider e Watch Dogs. Os fãs dos jogos Free-To-Play receberam Blacklight Retribution e Warframe! Mesmo assim, a Sony ainda está devendo uma estratégia de jogos mais abrangente, com uma mistura de games exclusivos e os clássicos. Os exclusivos estão à caminho, com jogos como The Order: 1866, Uncharted 4 e Bloodborne já anunciados para os próximos meses. Quanto aos clássicos e até mesmo a retro-compatibilidade com o PS3, a Sony está apostando na PS Now. Mas o serviço ainda está em versão beta, com disponibilidade restrita e preços abusivos.

Valeu a pena?

O PS4 é um bom console. Mas eu não vejo nada nesse primeiro ano de vida que tenha justificado a sua compra. Eu sou o primeiro a reconhecer que o console tem um design atraente, que o Dual Shock 4 é ótimo e que a interface da dashboard do console é muito mais ágil do que a XMB do PS3. Mas em 1 ano foram pouquíssimos jogos exclusivos; mais raro ainda foram os jogos exclusivos de qualidade. A Sony se focou na sua estratégia em oferecer jogos Indies, alguns em versão exclusiva para o seu console, e os jogos F2P. Mas é pouco. Quem compra um PS4 para jogar Towerfall, Outlast ou Guacamelee? Todos jogos ótimos, diga-se de passagem, mas esses games estão disponíveis em outras plataformas, inclusive na Steam. Minha impressão é que o PS4 foi lançado as pressas, com uma interface limitada e inacabada e poucos jogos de qualidade.

Acho que o PS4 passa de ano com uma nota 6. Hardware bem feito e um ótimo controle, mas interface muito limitada (e lentidão por parte da Sony para atualizá-la), pouquíssimos jogos exclusivos, capacidades multimídia quase inexistentes e uma PS Plus que regrediu. De qualquer maneira tem algo que não dá para discutir: o PS4 foi “abraçado” pelos gamers de forma incrível e em apenas 1 ano o console vendeu mais de 13 milhões de unidades. Olhando para 2015 as coisas parecem muito melhor: exclusivos de peso como Uncharted 4, Bloodborne, e os multi-plataformas Mortal Kombat X e Evolve prometem. Sim, passaremos de fato para a nova geração e um ciclo será fechado.

Semana que vem vai ser a vez do Xbox One que também completará 1 ano de vida.

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Sobre: André Machado

André Machado é um gamer hardcore, desenvolvedor na Ubisoft Montreal, blogger, youtuber e ex-stargamer. :) Saiba mais sobre o autor.

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6 comentários sobre “Análise PlayStation 4: 1 ano depois”

  1. Ana disse:

    Não vale a pena comprar um PS4 então? Tenho um xbox 360 e quero comprar um console dessa nova geração. Mas ainda estou com muitas dúvidas sobre qual comprar. Alguma dica?

    • Olá Ana, tudo bom? Na minha opinião a partir desse próximo ano tanto o PS4 quanto o Xbox One já estarão valendo a pena; no caso do PS4, os principais exclusivos como Bloodborne e Uncharted 4, além dos multi-plataformas da nova geração como Mortal Kombat X e Batman, vão chegar em 2015. Agora, qual comprar? Acho que tudo vai depender dos jogos que você gosta. Dê uma olhada no que está por vir para ambos os consoles para você decidir qual será a melhor opção para você. O PS4 tem como vantagem a sua maior quantidade de jogos Indie e os jogos F2P além, claro, dos exclusivos de peso como Uncharted e Last of Us. Já do lado do Xbox One, todas as séries exclusivas do console, como Forza, Gears e Halo. Abs! André

  2. Lennon disse:

    André você acha que o PS4 ainda está preso ao PS3?
    Por causa dos jogos ainda estar sendo lançado para o ps3 isso atrapalha de alguma forma extrair o máximo do ps4?

    • Opa Lennon, tudo beleza? 2014 foi o primeiro ano do PS4 (bom, 2013 não conta muito né). Isso que você descreveu é algo normal… as produtoras ainda estavam desenvolvendo games para a geração passada (PS3 e Xbox 360). Ambos têm uma base instalada de mais de 160 milhões de consoles. O PS4 e Xbox One juntos têm uma pequena fração desse total. Então ainda vale mais a pena para os estúdios desenvolverem para os consoles com base instalada maior. Mas essa tendência já está mudando e nesse ano de 2015 veremos boa parte dos lançamentos sairem somente para os novos consoles.

      Quanto a extrair o máximo do PS4, isso dificilmente acontece com a primeira (ou segunda) safra de lançamentos. Com o passor dos anos, os desenvolvedores ganham experiência com os consoles, os kits de desenvolvimento (SDK) são melhorados e, naturalmente, os games começam a atingir um outro patamar!

      Abraço e obrigado pelo comentário!

  3. Jhomy disse:

    André tudo joia ? e a primeira vez que participo do seu site. Amanhã tô querendo compra um Playstantion 4 de uma pessoa mais o console e um dos primeiros que saiu será que não problema ? ouvir falar que esses primeiros deram problema para abrir a mídia de DVD. ?

    • Opa, tudo bom? Rapaz, realmente alguns consoles tiveram problemas no lançamento, mas me parece dentro da normalidade para um novo produto. O meu console foi comprado no lançamento e nunca tive qualquer problema com ele! Abraço, André

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