PlayStation 4: 6 meses depois (Análise)

Análise de 1 ano
O PS4 completou 1 ano no dia 15 de novembro de 2014; confira o artigo mais recente: PlayStation 4: 1 ano depois (Análise)

6 meses. Esse é o tempo que o PlayStation 4, console da nova geração lançado pela Sony, está no mercado. Nesses primeiros meses, jogos foram lançados, bugs foram corrigidos e novas funcionalidades desembarcaram no console com as atualizações lançadas. Passado os primeiros meses chegou a hora de uma avaliação. E então, o que podemos falar sobre o console depois desse tempo? O suporte de mídia evoluiu desde o lançamento? E os jogos, valem a pena? Mas antes de começar essa análise vamos fazer uma rápida retrospectiva dos últimos meses para saber como o PS4 chegou até aqui!

Pessoal, essa análise é longa! Para facilitar a leitura eu separei o artigo em diferentes tópicos. Veja a lista abaixo e escolha por onde você quer começar a leitura, ou então se você está pronto para uma overdose de PS4 comece pela retrospectiva e continue até a conclusão! 🙂

Retrospectiva: como o PS4 chegou até aqui?

Embora o PlayStation 4 tenha chegado ao mercado somente em novembro de 2013 o lançamento do console começou a se desenhar ainda no meio daquele ano. Para ser mais exato, na edição 2013 da famosa feira E3. A Sony conseguiu uma importante “vitória” graças ao que foi considerado na época como um desastre de comunicação por parte da Microsoft na apresentação do seu Xbox One. A Microsoft anunciou que o Xbox One, que custaria $500, não poderia ser usado desconectado da Internet por mais de 24 horas, mesmo para partidas offline, teria uma política de jogos usados bem restrita e um foco grande em TV e multimídia. A Sony aproveitou a oportunidade para posicionar o seu PlayStation 4 como um console voltado para jogos, $100 mais barato, sem necessidade de conexão à Internet para jogar offline e onde os jogos usados funcionariam exatamente como nos outros consoles (ou seja, sem restrições). Essa estratégia gerou algumas publicidades simples mas inteligentes, como no vídeo abaixo. Resultado? O apoio instantâneo do público, principalmente dos jogadores hardcore.

A Microsoft ainda voltaria atrás nas suas políticas controversas, porém o cenário favorável para o lançamento do PS4 já estava desenhado. O sucessor do PS3 foi lançado no dia 15 de novembro de 2013 no mercado norte-americano custando $400. No dia 29 do mesmo mês o console chegou em vários outros países, entre eles o Brasil. E por falar no Brasil, o preço de lançamento praticado pela Sony foi motivo de muita discussão (e críticas) na época (R$ 3.999).

O lançamento do console foi um grande sucesso, vendendo pouco mais de 1 milhão de unidades em apenas 24 horas, um verdadeiro recorde de vendas de consoles em um lançamento. O aparelho manteve nesses 6 meses um ritmo constante de vendas e hoje (junho de 2014) já ultrapassou a marca de 8 milhões de unidades vendidas no mundo todo. A expansão internacional permitiu o lançamento do console em mercados como o Japão, onde o mesmo vendeu 320 mil unidades nos dois primeiros dias, um outro recorde para o jovem console da Sony (o PS3 em 2006 vendeu 88 mil unidades em período equivalente). Na briga com o seu maior concorrente, o Xbox One, o PS4 manteve a liderança em número de vendas desde o lançamento.

Além dos jogos multi-plataforma o console recebeu, no lançamento, dois exclusivos: Knack e Killzone: Shadow Fall. A Sony manteve o foco em sua estratégia de jogos Indie (de desenvolvedores independentes) e os Free-to-Play (F2P) para suprir a ausência de outros games de peso. Essa estratégia rendeu títulos como Resogun e Outlast, muito elogiados pela crítica e público em geral. No final de março o console recebeu mais um exclusivo, inFAMOUS Second Son, que ultrapassou a marca de 1 milhão de unidades vendidas.

O PS4 chegou ao mercado sem suporte para os headsets sem fio, algo que foi corrigido com a atualização 1.60 lançada em fevereiro. Em abril o console recebeu a sua mais importante atualização até o momento: a 1.70. Com ela o console ganhou uma aplicação para a edição de vídeos, a SHAREfactory, além da possibilidade de controlar o brilho da barra de luz do DualShock 4 e novas opções para compartilhamento de vídeos e imagens.

Hoje o PlayStation 4 está disponível em mais de 50 mercados e tem vendas acumuladas que ultrapassam 8 milhões de unidades.

Hardware

Deixando as especificações de hardware de lado, a Sony optou por um design mais compacto para o seu novo console. A empresa manteve o conceito da fonte de alimentação interna assim como no PS3. Em uma rápida comparação com o Xbox One e o próprio PS3, o PS4 esquenta mais e, principalmente, é mais barulhento. Sem problemas de travamento nesses 6 meses, é verdade, mas quanto mais próximo você estiver do console, mais o barulho poderá incomodar. O console também pode ser posicionado na vertical, com ou sem a ajuda de um stand.
PS4 - Hardware

Uma das novidades mais úteis do PS4 é a possibilidade de carregar a bateria de um controle conectado via USB mesmo com o console desligado. Na verdade, desligado não, mas em modo standby. Nesse modo, além da possibilidade de carregar o controle, o console consome menos energia e trabalha em segundo plano baixando e instalando as atualizações.

Falando um pouco sobre as portas e conexões do console, a Sony acabou com a saída analógica e optou por uma única saída HDMI. Não existe porta IR (infravermelho) e os dispositivos se comunicam via Bluetooth. A empresa manteve a porta LAN para conexões cabeadas o que é uma ótima notícia. Agora uma pequena reclamação sobre o Wi-Fi (rede sem fio): o console foi lançado com suporte 802.11n, mesmo com o novo padrão 802.11ac, mais rápido, saindo do forno. Ok, o 802.11ac virou um padrão de verdade somente no início do ano, mas muitos dispositivos foram lançados em 2013 já com suporte. A Sony (e Microsoft também) poderia ter incorporado tal padrão em seu console!PS4 - Hardware

No geral o console é bonito e compacto, e a possibilidade de carregar o controle com o console em standby é excelente. Mas ele também é um pouco barulhento em alguns momentos. Além disso o suporte para o padrão 802.11ac teria sido muito útil ainda mais agora que os roteadores e pontos de acesso com essse novo padrão já estão no mercado. Infelizmente, tanto esse suporte quanto as melhorias relacionadas ao barulho só poderão ser corrigidas em uma provável segunda revisão do hardware.

Controle

O controle do console, o DualShock 4, trouxe mudanças radicais em relação ao modelo anterior (DualShock 3) lançado em 2007. Gatilhos confortáveis, design anatômico, melhor empunhadura, painel touch, alto-falante integrado, entrada para fone de ouvido/headset e até uma barra de luz. Começando pelo design, ele surpreende: mais anatômico, os contornos são mais longos e facilitam para aqueles que acham, assim como eu, que o DualShock 3 é pequeno e pouco confortável. Os gatilhos L2 e R2 são muito bons e estão no mesmo nível dos equivalentes do controle do Xbox One (o que é ótimo). Os direcionais analógicos são mais confortáveis, embora a durabilidade deles tenha sido questionada por algumas pessoas. Pessoalmente eu não tive qualquer tipo de problema com os direcionais nesses 6 meses!

DualShock 4

Falando sobre as novidades, a idéia do painel touch é interessante mas até o momento na maioria dos jogos ele é usado como uma simples forma para entrar mais comandos (basicamente mais botões!). Em Killzone: Shadow Fall, por exemplo, o painel é usado para controlar o drone OWL deslizando-se o dedo para diferentes direções. Em alguns outros jogos o painel é usado para navegação, como um mouse. Já a barra de luz, outra novidade do controle, tem sido usada para identificar os diferentes jogadores e também pela câmera do console para rastrear os movimentos (como no acessório PlayStation Move). Alguns desenvolvedores integram esse recurso diretamente nos jogos, como no game Thief onde a intensidade da luz na barra indica quando Garrett, o protagonista do jogo, está escondido nas sombras ou visível. Mas no geral ambos, painel touch e barra de luz, ainda não mostraram um uso realmente inovador. São recursos supérfluos, até o momento, e só o tempo dirá se os desenvolvedores serão capazes de criar algo interessante com eles.

O DualShock 4 também trouxe uma entrada para fones de ouvido e headsets (finalmente!) além de uma saída de som (speaker) diretamente no controle. Alguns jogos, como Tomb Raider, direcionam determinados efeitos sonoros (tiros!) para essa saída no controle com o objetivo de aumentar a imersão. Tal recurso já é explorado faz algum tempo pela Nintendo com o seu controle Wiimote.

DualShock 4

Mas nem tudo são flores. A bateria do controle tem uma autonomia apenas regular (mais ou menos 10 horas), principalmente se compararmos as quase 30 horas do DualShock 3. Outro problema é a barra de luz do controle: hoje ainda não é possível desligá-la! Ela está sempre brilhando, consumindo ainda mais a bateria do controle e, pior ainda, refletindo a luz na tela ou em outros objetos quando você está jogando no escuro. Com a atualização 1.70 lançada recentemente a Sony aliviou um pouco o problema trazendo uma opção para selecionar a intensidade da luz. Ao escolher uma intensidade menor você terá um pequeno ganho na autonomia da bateria do controle (pequeno mesmo!). Mas ainda assim não é o suficiente.

Faltou pouco para tirar um 10. A Sony deu um salto de qualidade gigante com o DualShock 4 em relação ao modelo anterior. Ficou faltando uma opção para desligar a barra de luz e, principalmente, uma melhor autonomia da bateria. O primeiro problema pode ser provavelmente corrigido através de uma atualização do firmware. Que tal uma simples opção para desativar a barra de luz? O segundo problema é mais complicado e provavelmente só será resolvido com uma revisão futura do próprio controle. De qualquer maneira a experiência desses 6 primeiros meses com o Dual Shock 4 foi super positiva. O controle é, disparado, a melhor versão da série DualShock já lançada até hoje.

Acessórios

O PS4 recebeu dois acessórios principais nesses primeiros meses: a câmera, remodelada e com um visual parecido com o do Kinect e o headset oficial da Sony (PlayStation Gold Wireless Headset). Bom, a câmera custa $60 e tem sido usada basicamente para as transmissões ao vivo via Twitch. A câmera tem pouco suporte dos jogos lançados até agora: temos basicamente os mini-games do Playroom e o game Juste Dance 2014. Além disso, dá para navegar no menu do PS4 com comandos de voz e ainda logar no console com o reconhecimento facial, como no Kinect. Já o headset é sem fio e pode ser usado tanto no PS4 quanto no PS3, computador ou até mesmo no PS Vita através do cabo que vem na caixa (um cabo padrão de 3.5mm).PlayStation Gold Wireless Headset

A boa notícia para quem tem um PS3 é que alguns acessórios do console funcionam também no PS4. Aliás você não precisa comprar o headset do PS4 se você já tiver um headset sem fio do PS3 já que ele vai funcionar sem problemas no console. Além disso, o PlayStation Move funciona no PS4 e inclusive alguns games do console como Octodad: Dadliest Catch suportam o acessório! Por outro lado, o DualShock 3, a câmera PS Eye e o controle remoto Blu-Ray não funcionam com o PS4.

Mídia

A Sony sempre bateu na tecla de que o PS4 seria um console voltado para gamers e isso ficou muito claro nesses 6 primeiros meses! O suporte multimídia do PS4 piorou em relação ao seu antecessor. O principal problema é que com o PS4 a empresa resolveu deixar de lado o padrão DLNA, atualmente suportado pelo PS3. O DLNA facilita o compartilhamento de arquivos multimídia entre dispositivos de diferentes fabricantes. Um cenário comum: você pode reproduzir um vídeo, armazenado em seu computador por exemplo, diretamente em outro dispositivo compatível (PS3 e Xbox 360 são exemplos de dispositivos que suportam esse padrão).

A Sony mudou de estratégia com o PS4: a empresa está oferecendo aplicações para quem quiser reproduzir vídeos e músicas no console. O console não pode reproduzir CDs de áudio ou arquivos MP3. Ao invés disso a empresa oferece o serviço Music Unlimited que através do aplicativo com o mesmo nome permite acesso a um catálogo de músicas prontas para serem reproduzidas, desde que você seja assinante desse serviço (não incluído com a sua assinatura da PS Plus). Existem vários serviços similares no mercado como Xbox Music, Amazon, Google, etc. Se você já usou qualquer um deles fique sabendo que o da Sony é muito parecido. Basicamente você paga um valor mensal para poder fazer o streaming de músicas a partir do PS4 ou qualquer outro dispositivo (iPad, iPhone e Androids) que tenha uma versão da aplicação Music Unlimited instalada. Mas e os vídeos? Bom, para eles nós temos o Video Unlimited, que assim como os serviços equivalentes da Apple, Microsoft ou Google permite que você compre (ou alugue) filmes e séries e assista-os em qualquer dispositivo compatível. No geral tanto o Video Unlimited quanto o Music Unlimited funcionam como qualquer outro serviço do gênero disponível atualmente. Outro ponto negativo: o console ainda não suporta a reprodução de filmes Blu-Ray em 3D!

PS4 Music Unlimited

É verdade que para a maioria dos gamers hardcore essas limitações têm pouca ou nenhuma importância. Afinal, quem vai querer escutar um CD no console? Ou então ver um filme armazenado no computador? Mas é importante saber que essas limitações existem, principalmente se você já usou o recurso de streaming via DLNA no PlayStation 3 ou Xbox 360.

Se você tem um PS3 ou Xbox 360 e curte o suporte multimídia desses consoles, saiba que o cenário atual é bem limitado no PS4. Quer reproduzir arquivos MP3 ou vídeos armazenados em seu computador diretamente no PS4? Ou então escutar um CD de música? Não conte com o PS4! O console está atrás não somente do Xbox One como também dos consoles da geração passada, Xbox 360 e PS3, quando o assunto é multimídia.

O que melhorar? Suporte DLNA e reprodução de filmes Blu-Ray em 3D, para começar. A Sony tem muito trabalho a fazer mas resta saber se a empresa tem interesse.

Armazenamento

O console vem com um disco rígido interno de 500GB. É o suficiente? Quando Killzone: Shadow Fall ocupa quase 40GB e Wolfenstein: The New Order se aproxima dos 50, bom, nós temos um problema. Esses dois jogos ocupam, juntos, quase 100GB! É possível trocar o HD interno do console por um outro, SATA, com capacidade maior. Sim, você vai precisar abrir o console já que o PS4 ainda não suporta dispositivos de armazenamento externos! Mas você também pode esperar um pouco mais já que a empresa anunciou recentemente que esse suporte está na lista das novidades para os próximos updates! Ou seja, está chegando, só não se sabe exatamente quando. Indispensável!

Dashboard (UI)

A dashboard do console é uma evolução do sistema XMB (XcrossMediaBar) usado no PS3 e PS Vita. O sistema ganhou suporte multi-tarefa, onde é possível manter diferentes aplicações rodando ao mesmo tempo. Esse recurso funciona entre aplicações mas não quando você quer manter vários jogos rodando ao mesmo tempo (somente um único jogo pode estar em execução por vez). O sistema é útil e ágil; basta um toque no botão PS do controle para voltar para a tela principal do sistema enquanto o jogo continua em execução. Você pode então navegar livremente pelas opções e até iniciar outras aplicações. Caso você inicie um outro jogo o PS4 é educado o suficiente para avisar que o jogo atualmente em execução será fechado.

O recurso de multi-tarefa é uma ótima novidade mas eu não tenho como não compará-lo com o equivalente do Xbox One. Primeiro ponto: no Xbox One você pode voltar para a tela principal a qualquer momento, sem qualquer restrição. No PS4, logo após iniciar um jogo, o sistema não permite o uso desse recurso. Pode parecer um detalhe, mas não deixa de ser um inconveniente depois que você se acostuma ao uso da multi-tarefa. Já o segundo ponto é um recurso que eu gostaria muito de ver no console da Sony: a possibilidade de retornar ao jogo depois de sair do modo standby (fast resume). No Xbox One, você pode colocar o console em modo standby (instant-on como é conhecido) durante uma partida e na próxima vez que você “acordar” o console, retomar a partida exatamente de onde você estava. Não, esse recurso não funciona 100% das vezes no console da Microsoft: eu já cansei de voltar com uma partida de Killer Instinct que congela logo em seguida ou então um Tomb Raider que volta sem som. Mas quando funciona, é fantástico.

PS4 UI

Outra evolução em relação a geração passada: o gerenciamento das atualizações. Diferente do que acontece no PS3, agora o sistema gerencia de forma automática o download e instalação das atualizações do sistema. Se o console estiver no modo standby e você tiver uma assinatura da PS Plus, o sistema cuidará de todo o processo de atualização para você. A Sony também adicionou mais um recurso: chat em grupo, de verdade (party chat), diretamente no sistema.

Um ponto que precisa de melhorias é a seção “What’s New” (Novidades). Tudo o que acontece com você ou no seu ciclo de amizades aparece nesse fluxo contínuo. É mais ou menos como o fluxo de novidades do Facebook. A idéia é boa e a integração social do PS4 é legal. MAs estão faltando opções para ordenar e filtrar todo a quantidade de informação que aparece. Do jeito que está hoje e dependendo da quantidade de amigos que você tem, não é tão útil.

A customização é um dos pontos fracos do sistema. Para começar, a ordem automática imposta pelo sistema não funciona muito bem quando a quantidade de jogos aumenta. Os jogos e aplicações são organizados em uma lista, do mais recente para o mais antigo, baseado na utilização. Se você inicia determinado jogo, ela vai automaticamente para o início da fila. Com algumas dezenas de itens na lista fica bem difícil achar alguma coisa. Que tal um sistema de filtragem e/ou ordenação? Ou então a possibilidade de “fixar” aqueles itens que você considera mais importantes, assim como a opção Pin oferecida no Xbox One? Outro ponto: seria interessante ter a possibilidade de aplicar temas, mudando principalmente aquele azul padrão do sistema.

A falta de customização não é o único problema: existe bastante espaço para correções e melhorias. Nas configurações, principalmente dentro sistema, a Sony tem a tendência de colocar qualquer opção que não caia dentro de uma outra categoria existente. É verdade que o sistema de notificações do PS4 é muito mais flexível quando comparado ao que existe no Xbox One ou Wii U, mas isso não significa que ele não possa melhorar. Já são 6 meses e eu ainda tenho notificações que recebi em janeiro e simplesmente não desapareceram (e que não posso apagar)! Mais uma: o que as opções Download e Upload estão fazendo em Notificações? Que tal um gerenciador de downloads de verdade onde seja possível pausar e mudar a ordem de prioridade das tarefas?

Sim, eu estou sendo um pouco exigente. O problema é que nós, gamers, lidamos cada vez mais com essas interfaces nos consoles modernos. E as limitações nesses sistemas nos afetam diretamente! Apenas para aliviar o lado da Sony: a dashboard do Wii U é terrível e o sistema equivalente do Xbox One precisa do dobro de melhorias.

A nova interface do PS4 é uma ótima evolução do sistema XMB do PS3, além de ser rápida e fácil de usar. Ela traz alguns recursos interessantes, como a multi-tarefa e toda a integração da parte social, porém não vai longe o suficiente em nenhum deles. A multi-tarefa precisa evoluir para oferecer algo mais próximo do que existe no Xbox One. Além disso, opções para customização e melhor organização da interface da dashboard seriam muito bem-vindos. Um passo na direção certa! A boa notícia é que tudo isso pode ser facilmente corrigido via software com as atualizações para o sistema e é muito provável que a Sony já esteja trabalhando em pelo menos alguns desses itens!

Compartilhamento (SHARE)

Uma das novidades do PS4 é a possibilidade de compartilhar seus vídeos de gameplay diretamente a partir do console. Com um simples toque no botão SHARE do controle você terá acesso a uma interface para compartilhar seus vídeos através do Facebook. Além disso também é possível transmitir, ao vivo, a sua performance nos jogos usando os serviços Twitch e Ustream. Com a atualização 1.70 o sistema de compartilhamento ficou ainda melhor. A Sony adicionou a aplicação SHAREFactory para a edição dos vídeos diretamente no console. Além disso a empresa trouxe a opção de salvar os vídeos e imagens capturados em um dispositivo externo (um pen drive USB, por exemplo) e também escolher a duração dos vídeos capturados.

PS4 Share UI

O sistema funciona muito bem, principalmente depois dessa atualização. Porém a empresa deixou de fora a possibilidade de enviar os vídeos diretamente para o YouTube e serviços de armazenamento online como Dropbox ou OneDrive. Para que complicar o processo? Capturar o vídeo, salvar em um pen drive USB, copiar para o computador e então fazer o upload para um desses serviços. Ou então fazer o upload para o Facebook, recuperar o vídeo e só então fazer o upload para o YouTube. Sim, dá para melhorar esse processo! Quem sabe o suporte para o YouTube não aparece em uma próxima atualização?

Rede PSN e PS Plus

A nova PS Plus manteve boa parte dos serviços já oferecidos no PS3: Instant Game Collection (jogos gratuitos), armazenamento online dos saves e download automático das atualizações. A grande mudança ficou por conta da jogatina online. Para jogar online com o PS4 você vai precisar de uma assinatura da PS Plus (na grande maioria dos casos). A exceção fica por conta de alguns títulos F2P como War Frame e Blacklight Retribution, por razões óbvias! 🙂 Essa mudança afeta diretamente quem estava acostumado a jogar games multiplayer no PS3 sem precisar de uma assinatura da PS Plus. Outra má notícia: nada de versões trial para os games de PS4, pelo menos por enquanto. O máximo que você vai encontrar são algumas demos! PlayStation Plus Features

Sim, de uma certa forma o serviço da PS Plus regrediu no PS4. Para piorar, os jogos oferecidos nesses primeiros meses através do serviço Instant Game Collection estão longe da qualidade daqueles oferecidos no PS3 (o que de certa forma é até esperado pois essa geração ainda está engatinhando). Mas a grande vantagem para os assinantes do serviço no PS4 é a forma como o sistema lida com as atualizações (updates). No PS3 é possível configurar o sistema de forma que o console saia do modo standby em determinados horários, verifique se existem novas atualizações e faça automaticamente o download. O novo console pode ficar em modo standby e checar por atualizações para o sistema, patches para os jogos e então instalar automaticamente.

O processo de atualização foi melhorado, mas no geral a Sony pegou o (bom) serviço oferecido no PS3 e trouxe para o PS4, com as restrições do multiplayer pago e sem as versões trials.

Games

Chegamos a um dos pontos principais (talvez o principal!): os jogos! Na verdade esses 3 primeiros meses do console foram bem devagar. Deixando os multi-plataforma como Fifa 14 e Need for Speed Rivals de lado, o PS4 recebeu dois exclusivos: Knack e Killzone: Shadow Fall, nenhum deles realmente impressionante (bons jogos, nada mais). Mas os últimos meses foram melhores, com o lançamento de inFAMOUS Second Son e, principalmente, com uma estratégia focada nos games de desenvolvedores independentes (Indie) e os jogos Free-to-Play (F2P). A Sony teve o seu trabalho facilitado pelas políticas restritivas do programa Indie do Xbox One, o ID@Xbox. Isso fez com que muitos desenvolvedores independentes escolhessem o PS4 como plataforma para a publicação dos seus jogos. A estratégia dos games Indies tem sido bem-sucedida e já rendeu ótimos exclusivos (nos consoles) como Towerfall: Ascension e Outlast. Enquanto isso, aqueles que gostam dos games F2P vão encontrar no PS4 títulos antes exclusivos dos PCs.inFAMOUS Second Son

A legião de desenvolvedores independentes produzindo alguns títulos de qualidade para o console e mais os games F2P ajudaram a manter o ritmo de lançamento de jogos no console durante esses primeiros meses. Mas os jogos Indies que se destacaram são exceção, não a regra. Para cada ótimo jogo lançado nós temos tantos outros medianos ou ruins que também desembarcam no console. Se você já jogou Daylight ou Basement Crawl você provavelmente sabe do que eu estou falando! Além disso, os jogos F2P preenchem um nicho de mercado e muitos gamers simplesmente ignoram esse gênero de jogo. Resultado? A Sony fez um bom trabalho, mas não é o suficiente. Onde estão os games de peso para o console, principalmente os exclusivos? Não, Knack ou Killzone não são esses jogos. inFAMOUS é muito bom, mas é muito pouco. The Order: 1886 pode ser um desses jogos, mas ele só será lançado em 2015. Já The Last of Us Remastered, que pode sair ainda esse ano, também tem potencial. Fato é que o console precisa dos exclusivos de peso. Ok, é o início de uma nova geração, mas ainda assim a quantidade de lançamentos de peso tem sido pequena.Knack

A estratégia precisa ser mais abrangente. Não somente os games Indies, F2P ou os exclusivos de peso. O console precisa dos clássicos já lançados para outras versões do PlayStation do passado. Que tal os games de PS One e PS2, assim como acontece no PS3? Melhor ainda, que tal jogar os games de PS3 no PS4? Sim, seria um grande diferencial e a Sony sabe disso. Tanto é que a empresa vem trabalhando em um serviço que pode mudar esse panorama. É a PlayStation Now (PS Now), uma espécie de Netflix do mundo dos games, onde será possível fazer o streaming dos jogos de PS3 e jogá-los diretamente em um PS4. O serviço está atualmente em fase de testes mas tem potencial para mudar a forma como acessamos nossos games.

Bom, a Sony pode agradecer em boa parte os desenvolvedores Indies por esses primeiros meses. Foram eles que mantiveram o console abastecido com novos jogos enquanto os títulos exclusivos de peso não chegam. O console precisa de jogos exclusivos além do retorno dos clássicos do passado.

Preço

A Sony apostou no preço de $400 para o lançamento do PS4 (mercado norte-americano). Com o primeiro PlayStation, em 1995, e o PS2, em 2000, a Sony optou por cobrar $300. A situação com o PS3 foi bem diferente e, para aqueles que se lembram, rendeu muitas críticas a empresa. Na época ela apostou em um preço inicial (muito) alto: $500 pela versão de 20GB e $600 para a versão de 60GB. Com o PS4 a Sony parece ter aprendido a lição com tudo que aconteceu de 2006 a 2008 com o PS3 e o preço do seu novo console reflete isso.

Conclusão e o que esperar para os próximos meses

Os primeiros meses do console foram positivos e as vendas refletem isso. A Sony de hoje é muito diferente daquela que lançou o PS3 em 2006. A empresa tem escutado seus usuários e lançado com frequência atualizações com novos recursos e correções para os problemas mais frequentes (o update 1.70 foi um ótimo exemplo). A dashboard precisa de opções para customização e melhor organização. O suporte para armazenamento externo também será bem-vindo.

Além das melhorias no sistema, a Sony ainda precisa de uma estratégia de jogos mais abrangente. A estratégia da empresa, com os jogos Indies e F2P, vem dando certo. Mas o PS4 precisa de games de peso, exclusivos, para o seu console (e quem não precisa?). Não somente os títulos de peso como também saber explorar a imensa biblioteca de jogos clássicos já lançados para os seus consoles (PS One, PS3 e PS3). Por isso mesmo a PS Now pode ser um marco importante não só para o PS4 como também para o futuro da própria Sony. Os próximos meses prometem boas notícias para os donos do PS4!

E você, tem um PS4? O que achou do console? Deixe seu comentário!

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Sobre: André Machado

André Machado é um gamer hardcore, desenvolvedor na Ubisoft Montreal, blogger, youtuber e ex-stargamer. :) Saiba mais sobre o autor.

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9 comentários sobre “PlayStation 4: 6 meses depois (Análise)”

  1. renato disse:

    QUERO SABER QUANDO VAI PODER USAR O PEN DRIVE? TIPO PASSAR ARQUIVOS DO PEN DRIVE PARA O PS4,, QUANDO LANÇAR O PES 2015 SE N DER AINDA VAI SER FODA PASSAR OS SONS E CAMISAS OFICIAS PARA O JOGO

  2. Anderson disse:

    Boa matéria, parabéns!

  3. Herbert disse:

    Olá André, ótima matéria! Visto que agora teve a atualização para rodar filmes em 3D… o próximo passo não seria rodar filmes, musicas e até abrir fotos no PS4 por um HD EXTERNO / PEN DRIVE igual o PS3 fazia? Obrigado

    • Opa Herbet, tudo bom? Obrigado pelo comentário! Com certeza, o próximo passo é justamente permitir a reprodução de mídia a partir de um dispositivo externo. Também está faltando o suporte DLNA, assim como existe no PS3. Com esse suporte seria possível reproduzir filmes e imagens que estão armazenados em um PC ou smartphone, por exemplo, sem precisar copiá-las para o console! Abraço, André

  4. jacir disse:

    olá Andre eu comprei um ps4 e queria copiar fotos e videos para ele como se faz no ps3 e não consigo. vc pode me ajudar?Ainda não é possilvel?

    • Opa Jacir, tudo bom? Rapaz infelizmente isso ainda não é possível. O PS4 não suporta a reprodução de fotos ou vídeos a partir de um drive externo! Abraço, André

  5. James disse:

    Final do ano está chegando, estou pensando em comprar algum novo jogo de playstation.

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