PS4 ou Xbox One: qual é o melhor? (2017)

PS4 ou Xbox One: qual é o melhor? (2017)

PS4 ou Xbox One? Qual é o melhor? A cada nova geração de consoles a história se repete: os personagens até mudam mas o roteiro é sempre o mesmo. Se você tem os seus 30 e poucos anos certamente já ouviu (e participou) dos debates Sega vs Nintendo: NES ou Master System? Super NES ou Mega Drive? Mas nem é preciso voltar muito no tempo não… PlayStation 2 ou Xbox? PlayStation 3, Wii ou Xbox 360? A chegada do Xbox One e do PlayStation 4 relançou aquele velho debate sobre qual é o melhor console e as comparações se multiplicaram nos sites e revistas especializadas.

Eu já perdi a conta de quantas vezes tive que encarar toda a discussão PS4 vs Xbox One. Mas será que realmente dá para cravar um dos consoles como sendo o melhor? Bom, vamos deixar o fanatismo de lado e tentar descobrir! Vamos comparar ambos os consoles em diferentes quesitos: hardware, jogos, controle, serviços online, acessórios, etc.

Como você pode ver logo abaixo esse artigo tem uma lista de tópicos. Que artigo na Internet tem uma lista de links? Somente aqueles muito longos! Pois é, esse artigo é longo.. então fique à vontade para ler somente as seções que te interessam ou então pular diretamente para a conclusão. Se bem que na minha opinião você deveria ler o artigo completo, claro!

Entendendo a comparação

O objetivo desse artigo é comparar ambos os consoles, PlayStation 4 e Xbox One, em diferentes quesitos. Grande parte das conclusões vêm da minha própria experiência com ambos durante os últimos quatro anos. Talvez seja possível responder a pergunta: afinal, qual é o melhor, Xbox One ou PlayStation 4?

Antes de partir para a comparação mais abaixo que tal darmos uma olhada em como chegamos até aqui?

Retrospectiva

Ambos os consoles chegaram ao mercado norte-americano em novembro de 2013 (PS4 no dia 15 e o Xbox One uma semana depois, dia 22). Mas antes mesmo do lançamento, principalmente na E3 daquele ano, Microsoft e Sony já travavam uma batalha pela nova geração.

Os boatos sobre o Xbox One surgiram em meados de 2011. O sucessor do Xbox 360 ficou conhecido por um bom tempo como Durango, nome do kit de desenvolvimento oficial do console. A Microsoft anunciou o Xbox One oficialmente em maio de 2013 durante uma apresentação focada nas capacidades multimídia e sociais do console. Essa apresentação ficou famosa; tente contar quantas vezes Don Mattrick, chefão do Xbox na época,  falou a palavra Tv! No mês seguinte a empresa fez a sua apresentação na E3, voltada para os gamers, apresentando o console para o mundo e mostrando a sua primeira leva de jogos. O anúncio da Microsoft foi como uma bomba: um console caro ($499), que restringia o uso de jogos usados e que tinha como um dos requerimentos (bizarros) a obrigação de estar conectado à Internet (o console checaria a conexão a cada 24 horas). A recepção não poderia ter sido pior: gamers e imprensa especializada caíram em cima do Xbox One.

O anúncio (desastroso) da Microsoft era tudo o que a Sony precisava. A empresa apresentou o PlayStation 4, um console voltado para os gamers, sem qualquer um dos requirementos bizarros do Xbox One e custando $100 a menos. A empresa aproveitou (bem) a oportunidade com algumas ótimas tiradas; em uma delas, que correu o mundo e ficou super famosa, a empresa ensina como emprestar um jogo usado através do PS4, uma bela indireta (ou direta mesmo!) ao complicado sistema criado pela Microsoft.

Antes mesmo do lançamento a Microsoft voltou atrás e  abandonou o seu controverso sistema de compartilhamento de jogos e a checagem de conexão à Internet. Mas o estrago já tinha sido feito. Nos meses após o lançamento a Microsoft viu a Sony tomar a dianteira na venda de consoles da nova geração. A diferença nas vendas de console aumentava a cada mês. O que se vê desde 2013 é uma corrida por parte da Microsoft atrás do prejuízo pelo desastroso lançamento do Xbox One. Desde então muita coisa mudou: Don Mattrick deixou a empresa (2013), o Kinect deixou de ser vendido junto com o console (2014), o preço foi reduzido (2015) e uma nova versão do console, mais compacta, foi lançada em 2016 (Xbox One S). Tudo isso ajudou a aumentar as vendas do Xbox One, mas a situação ainda persiste até hoje: o PS4 lidera as vendas de console, com uma margem de praticamente dois consoles para cada Xbox One vendido.

Round 1: Hardware e design

Depois da maré de problemas que a Microsoft enfrentou com o Xbox 360 (principalmente com os modelos anteriores ao Slim), a empresa optou inicialmente por um design mais conservador para o seu sucessor: um console grande (video-cassete?), bem ventilado e com uma fonte de alimentação externa (e gigante). Já a Sony apostou em um console mais compacto e com um design mais atraente. Uma vitória fácil para o PlayStation 4, certo?

Mas então veio o ano de 2016 e com ele as versões aprimoradas: Xbox One S e PS4 “Slim”. Do lado do Xbox One S, as mudanças foram radicais: um console muito mais compacto (40% mais fino) e com fonte de alimentação interna. Mas as pequenas melhorias não foram esquecidas com a introdução de botões físicos e a porta USB lateral que foi movida para a parte da frente do console. O visual do console é muito mais atraente e moderno! Já em sua revisão mais recente o PS4 também ficou mais fino e ganhou botões físicos. Considerando ambas as revisões mais recentes, o PS4 continua sendo um pouco mais compacto, embora a diferença tenha reduzido bastante. Em relação ao design, ambos os consoles tem um aspecto moderno e atraente.

Vale lembrar que no PS4 “Slim” a Sony removeu a saída de audio digital. Se o seu sistema de áudio depende de uma conexão digital, isso pode ser uma grande desvantagem para você. Mas para a maioria dos gamers essa mudança não faz muita diferença.

Vencedor: PS4

Round 2: Controle

O controle do PS4, o DualShock 4, trouxe muitas mudanças em relação ao modelo anterior lançado em 2007: melhor empunhadura, gatilhos mais confortáveis, painel touch, alto-falante integrado e até uma entrada para fones de ouvido/headset. Ele é simplesmente maior e mais confortável do que o DualShock 3 e no geral se encaixa melhor nas mãos. O design do controle é excelente e a minha única reclamação é em relação a barra de luz que não pode ser desligada (jogando no escuro o reflexo dela as vezes atrapalha).

Já o controle do Xbox One é uma evolução do excelente controle do 360. É mais leve e não tem mais aquele trambolho atrás (compartimento da bateria/pilhas). O controle tem uma vibração mais precisa (são dois motores separados) e um direcional digital ótimo para jogos de luta. A entrada para fones de ouvido também está presente (as revisões mais recentes do controle não exigem mais o uso de um adaptador externo). A Microsoft lançou uma versão Elite do seu controle que permite customizar os botões, direcionais e até os gatilhos. Tudo isso pela “bagatela” de $150!

No geral ambos os controles são excelentes, confortáveis e sem grandes defeitos. Mas ainda assim o DualShock 4 é um pouco mais confortável e se encaixa melhor nas mãos. Uma pequena vantagem para a Sony, embora seja muito mais uma questão de preferência pessoal nesse ponto.

Vencedor: PS4

Round 3: Acessórios

Vamos deixar de lado os acessórios que você encontra em qualquer um dos consoles e dar uma olhada na oferta de acessórios exclusivos de cada um. O principal acessório exclusivo de cada lado é o sensor (ou camera). Do lado da Microsoft o Kinect, em sua versão 2.0 (evolução do modelo oferecido no Xbox 360). Já do lado da Sony a PlayStation Camera, que evoluiu a partir da EyeToy (camera do antigo PlayStation 2).

O Kinect apareceu no lançamento do Xbox One (em 2013) como peça principal na estratégia de entretenimento da Microsoft. A versão 2.0 é certamente poderosa, capaz de processar 2GB de dados por segundo, rastrear batimentos cardiacos e até expressões faciais. Mas, passado alguns anos, o acessório passou de estrela a figurante. A Microsoft passou a vender o console sem o sensor e, para piorar, ainda estamos esperando vários jogos exclusivos prometidos para o acessório. Fato é que o Kinect perdeu importância e muitos desses jogos nunca serão lançados. Claro que isso não quer dizer que o acessório seja inútil; o seu sistema de reconhecimento de voz é excelente e agiliza a navegação pela UI do Xbox One. Para alguns só esse recurso justifica manter o Kinect conectado; para outros (eu estou nesse grupo) o acessório já foi desconectado faz tempo e está encostado em algum lugar do quarto…!

Do lado da Sony a PlayStation Camera não fica (muito) atrás. É verdade que em comparação com a versão 2.0 do Kinect o acessório da Sony não está no mesmo nível. A resolução é menor (720p contra 1080p do Kinect), o sensor de movimentos é mais limitado, assim como o suporte para gestos e reconhecimento de voz. Mas embora menos poderosa do que o Kinect a diferença é que a camera da Sony ganhou uma sobrevida graças ao lançamento do PSVR. Hoje ela é um acessório obrigatório para quem quer curtir a oferta de realidade virtual para o PS4.

De qualquer maneira o Kinect do ponto de vista tecnológico está um passo a frente da PlayStation Camera.

Vencedor: Xbox One

Round 4: Jogos

Os jogos são essenciais para qualquer console. Muitos consoles caíram em desgraça pela falta de games ou até pela qualidade dos mesmos (Jaguar, Saturn e Virtual Boy, só para citar alguns). Nesses quase quatro anos já foram centenas de jogos lançados para ambos os consoles entre games indie, exclusivos e multi-plataforma. Boa parte dos jogos multi-plataforma (os thirdy-party) foram lançados tanto para o PS4 quanto Xbox One. Mas e nos jogos exclusivos e indie, quem leva vantagem?

A Microsoft vem sofrendo desde 2013 com a falta de exclusivos. Ok, o que temos do lado do Xbox One? Alguns jogos da série Forza e Halo (em especial o Halo 5: Guardians), Gears of War 4, Sunset Overdrive, os contestados ReCore e Quantum Break, e alguns jogos indie como o excelente Ori and the Blind Forest e recentemente (o também excelente) Cuphead. É muito pouco para um console com quatro anos de mercado! O console também sofreu baixas importantes como Fable Legends, Scalebound e Ion, todos cancelados. Sem falar nos eternamente atrasados Crackdown 3 e Sea of Thieves. E o futuro próximo não parece muito animador. Temos no horizonte (até o final de 2018) títulos como Forza 7, State of Decay 2, Sea of Thieves, Crackdown 3 e Ori and the Will of the Wisps.

Já do lado da Sony a história é muito diferente. Os jogos exclusivos são muitos e de alta qualidade. Desde 2013 tivemos dezenas de títulos como Uncharted 4: A Thief’s End, Infamous,
The Last Guardian, Bloodborne e Journey. Só esse ano (2017) tivemos Gravity Rush 2, Nioh, Nier Automata, Horizon Zero Dawn, Yakuza 0 e a trilogia remasterizada de Crash Bandicoot. E a próxima leva de exclusivos promete: Days Gone, Death Stranding e novas versões de God of War e The Last of Us. Basta comparar quantidade e qualidade; a vantagem está do lado da Sony.

Nos jogos indie a história não é muito diferente. A Microsoft mais uma vez começou com o pé esquerdo com o seu programa ID@Xbox. A idéia era permitir que os desenvolvedores indie pudessem publicar facilmente seus games no Xbox One. O grande problema era uma cláusula específica do programa que exigia que qualquer jogo indie lançado para outra plataforma precisava ser lançado para o Xbox One ao mesmo tempo. Caso contrário, o game não poderia ser lançado no console da empresa. Agora imagina só o que isso significava para um pequeno estúdio independente querendo publicar um jogo: com poucos recursos (programadores), o estúdio precisava muitas vezes priorizar uma plataforma de lançamento. E essa plataforma muitas vezes era o PC. Só que uma vez lançado para o PC, o estúdio não podia mais lançar o game no Xbox One por causa da cláusula de exclusividade do ID@Xbox. Agora, onde você imagina que esse estúdio iria publicar o seu jogo? Exato, no PS4! E foi isso que aconteceu no início, com dezenas de jogos indie desembarcando no PC e no PS4, sem nunca aparecerem no Xbox One. A Microsoft corrigiu o erro desde então e o programa ID@Xbox se tornou mais flexível. Hoje em dia muitos dos games indie lançados para o PS4 também chegam no Xbox One. Mas o estrago já foi feito e o PS4 continua como plataforma preferida dos desenvolvedores independentes.

Eu sou contra os exclusivos e acho que eles só fazem mal para a indústria. No meu mundo ideal todos os jogos seriam lançados para todas as plataformas. Cada gamer escolheria então a sua plataforma preferida baseado nas características de cada uma delas, e não pela exclusividade dos jogos. Mas no mundo real, os exclusivos fazem a diferença (e muito). O lançamento de Legend of Zelda: Breath of the Wild para o Switch, da Nintendo, provou isso mais uma vez. Quase 90% de quem comprou o console também pagou pelo novo Zelda! Fato é que nesse ponto o console da Sony leva boa vantagem em quantidade e qualidade de exclusivos. E enquanto eles fizerem a diferença, esse vai ser um ponto essencial em qualquer discussão!

Vencedor: PS4

Round 5: Apps e Mídia

No quesito aplicações, foi-se o tempo em que as melhores apps estavam somente no Xbox One. Hoje em dia as aplicações mais populares estão presentes em ambos os consoles. Se você costuma usar Netflix, Twitch, Amazon Instant Video ou Hulu Plus, qualquer um dos consoles vai servir. Mas isso não quer dizer que o Xbox One ainda não tenha uma (pequena) vantagem em relação ao PS4. O console da Microsoft tem ao seu lado as aplicações da própria empresa, como o One Drive e Skype, além das específicas de conteúdo como Fox Now, CTV Go e Syfy Now. Mas se você não usa os serviços da Microsoft no seu dia-a-dia ou não mora em um país que suporte essas aplicações de conteúdo, a diferença acaba se tornando menos importante.

Por outro lado, a história é (bem) diferente quando o assunto é mídia. O Xbox One S trouxe uma grande vantagem em relação ao PS4: o suporte para discos Blu-ray 4K. O que isso significa exatamente? A revisão mais recente do console da Microsoft está equipada com um drive Blu-ray Ultra HD capaz de reproduzir aqueles (ainda raros) discos Blu-Ray 4K. Nenhum outro console no mercado atualmente oferece essa capacidade (nem mesmo o PS4 Pro). Se você tem uma TV 4K e curte assistir filmes, o Xbox One S é um ótimo (e relativamente barato) leitor de discos Blu-ray 4k.

Mas o drive Blu-Ray Ultra HD não é a única vantagem da Microsoft quando o assunto é mídia. O Xbox One S também suporta o streaming de conteúdo 4K a partir de aplicações como Netflix, Hulu, Amazon Video e VUDU Movies. Com o console da Microsoft, uma TV 4K e uma assinatura de um desses serviços você consegue fazer o streaming de filmes em 4K diretamente para a sua TV. Do lado da Sony, essa capacidade só está disponível no PS4 Pro.

E por último, suporte para assistir TV diretamente no console. O foco da Microsoft mudou muito desde 2013, quando a principal estratégia era transformar o Xbox One em um centro de entretenimento. Mas mesmo assim ainda é possível conectar um serviço de TV a cabo usando a entrada HDMI disponível no console para assistir TV. Tudo é acessado através da aplicação OneGuide onde é possível ver o guia de programação, gravar programas e criar listas de favoritos. Vale lembrar que o OneGuide está disponível no Brasil desde 2014.

Como você pode ver, quando o assunto é mídia, o Xbox One é o grande vencedor. A não ser que você esteja interessado somente em jogar, é claro!

Para ser justo, a Sony tem um serviço de assinatura chamado PlayStation Vue que oferece acesso a diferentes canais de TV. Você paga uma mensalidade (que não é barata… $40 para o pacote básico) e pode acessar dezenas de canais normalmente disponíveis somente via TV a cabo (filmes, esportes, séries, etc.). A oferta é interessante, mas hoje ela está disponível somente nos EUA.

Vencedor: Xbox One

Round 6: Armazenamento

Tanto o PS4 quanto o One chegaram ao mercado no final de 2013 com drives de 500 GB. Porém com os jogos gigantescos ultrapassando muitas vezes os 40GB, fica fácil perceber que esse limite não é suficiente! O PS4 suporta desde o seu lançamento a expansão de memória através da troca do disco rígido. Para isso basta comprar um disco que seja compatível com o padrão SATA: um de 3TB sai por $100. Mas recentemente a Sony adicionou também suporte para drives externos compatíveis com USB 3.0 (update 4.50).

no Xbox One não é possível trocar o disco interno. Mas o console da Microsoft também suporta a expansão do armazenamento através de drives externos USB; mas o disco externo precisa suportar o padrão USB 3.0 e ter, pelo menos, 256GB.

As versões Slim dos consoles oferecem opções com 500HB e 1TB. O Xbox One vai um pouco mais longe com um modelo de 2TB. De qualquer maneira ambos, PS4 ou Xbox One, oferecem basicamente o mesmo suporte para armazenamento.

Vencedor: Empate

Round 7: Serviços online

A oferta de serviços online de ambos os consoles é parecida. A Xbox Live Gold, da Microsoft, e a PSN Plus, da Sony, são serviços de assinatura que custam em média $60 por ano. Uma assinatura de qualquer um desses serviços oferece acesso a jogatina online (multiplayer), games de “graça” e alguns descontos. Ambos os serviços são acessíveis através dos consoles anteriores (Xbox 360, no caso da Xbox Live Gold, e o PS3 e PS Vita, no caso da PSN Plus).

Do lado da Sony existe uma assinatura paga à parte, da PS Now, para aqueles que desejam rodar jogos de PS3 (e alguns antigos de PS4) via streaming. Já a Microsoft oferece duas assinaturas extras: EA Access e Xbox Game Pass. A primeira custa $5 por mês (ou $30 por ano), dá acesso a vários jogos da EA e também a 10% de desconto para comprar jogos da empresa. O EA Access é exclusivo da Microsoft já que a Sony ignorou o serviço. A segunda assinatura é a Xbox Game Pass, uma espécie de “Netflix” voltada para jogos. Uma assinatura de $10 por mês dá direito a acessar uma seleção de mais de 100 jogos (é preciso baixar o game, claro).

Pela quantidade de serviços disponíveis (EA Access e Xbox Game Pass contra PS Now), o Xbox One leva a melhor nesse quesito.

Vencedor: Xbox One

Round 8: Sistema/UI

A interface do PS4 é uma evolução do sistema XMB (XcrossMediaBar) presente no PS3 e PS Vita. Ela é simples porém intuitiva e funcional; um menu no topo e uma lista horizontal com os jogos e apps instalados, organizados do mais recente para o mais antigo (baseado na utilização). Apesar das melhorias feitas desde 2013, a customização ainda é um dos pontos fracos do sistema. Essa lista horizontal, que é a parte principal do sistema, mostra toda a sua limitação quando a quantidade de jogos/apps aumenta. Está faltando um sistema de filtro ou ordenação. Que tal a possibilidade de filtrar jogos por categoria? Ou ordenar por tamanho? Ou até mesmo a possibilidade de “fixar” aqueles jogos mais importantes na tela principal?

Por outro lado a interface do Xbox One já passou por várias revisões desde o lançamento do console em 2013. O sistema hoje é baseado no Windows 10 e, embora um pouco mais complexo, oferece muito mais opções de customização. A interface do PlayStation 4 pode ser mais simples, mas é mais fácil se organizar com a interface do One.

Vencedor: Xbox One

Round 9: Retrocompatibilidade

Xbox One e Playstation 4 não representam somente uma nova geração; ambos os consoles representam um salto para uma arquitetura completamente diferente dos seus antecessores. Por isso mesmo a possibilidade de rodar jogos dos seus antecessores se tornou uma grande dor de cabeça e ambas as empresas começaram uma verdadeira corrida para achar uma solução para o problema. Logo após o lançamento a resposta parecia estar na nuvem (cloud). Porque não usá-la para fazer o streaming dos jogos rodando a partir de um servidor? Do lado da Microsoft, a empresa explorava a possibilidade de fazer o streaming dos jogos rodando a partir dos seus servidores Azure (projetos Rio e Arcadia). Já a Sony começou a explorar uma solução para esse problema ainda em 2012 quando comprou a Gaikai, empresa especializada no streaming de jogos.

Mas o que temos hoje? A Sony se manteve no mesmo caminho que ela começou a trilhar em 2012. O resultado foi o lançamento da PlayStation Now (PS Now), um serviço de assinatura para streaming de jogos. O funcionamento é simples: você paga uma assinatura ($20 por mês ou então $45 por três meses) e tem acesso a uma biblioteca com mais de 500 jogos através de um PC ou do próprio PS4. O acervo é extenso; a grande maioria são jogos de PS3, mas existem também alguns jogos antigos de PS4. O acesso é muito simples e rápido, pois você não precisa esperar que o jogo seja baixado antes de começar a jogar.

ps now

E a Microsoft? A empresa conseguiu uma façanha ao criar um emulador para rodar os jogos de Xbox 360. O suporte foi anunciado durante a E3 2015 e foi lançado oficialmente no final do mesmo ano. O funcionamento também é bem simples: cada vez que um jogo é adicionado a lista de compatibilidade, ele fica automaticamente disponível no console daqueles que já adquiriram o jogo. Caso você tenha o jogo em disco, basta inserí-lo e esperar que o jogo em questão seja baixado. São centenas de jogos suportados e a lista não para de crescer.

xbox one - retrocompatibilidade

Mas e então, qual dos consoles oferece melhor suporte para a retrocompatibilidade? A solução da Sony é simples mas tem várias desvantagens. Primeiro, você precisa ter uma conexão à Internet realmente muito boa. A empresa exige um mínimo de 5Mbps. Mas o problema não é tanto a velocidade e sim a estabilidade; alguns jogos toleram melhor uma pequena queda de velocidade do que outros. Basta um pequeno atraso de um segundo em um FPS para a experiência ir por água abaixo. Segundo e principal problema é o preço: $20 por mês para jogar boa parte dos jogos que eu já tenho? Não importa se eu já tenho uma cópia de Red Dead Redemption para o PS3. Se eu quiser jogá-lo através do PS4, eu preciso ter uma assinatura da PS Now (estou pagando duas vezes!). Sem falar que o serviço, que antes também era acessível a partir do PS3, PS Vita e de alguns modelos de TV da série Bravia, agora só pode ser acessado através do próprio PlayStation 4 ou de um PC.

Já a solução da Microsoft não tem os problemas de performance, já que o jogo de Xbox 360 precisa ser baixado primeiro, e nem o problema do preço. Todos os jogos de Xbox 360 que você já comprou, sejam eles em formato digital ou em disco, estão (ou possivelmente estarão) disponíveis através da retrocompatibilidade. Outra vantagem: saves, DLCs e conquistas também são suportados. O único problema é o tempo que você precisa esperar para baixar cada jogo. Mas voltando para o exemplo do Red Dead Redemption, posso colocar o meu disco de 360, esperar baixar e então curtir o game sem gastar nada mais por isso. Muito mais justo, não?

Vencedor: Xbox One

Round 10: Performance

Mas e o poder técnico de cada console, qual leva a melhor entre Xbox One e PS4? Antes de mais nada é importante entender que ambos os consoles são muito parecidos em relação ao hardware interno. Ambos usam a mesma arquitetura, x86, o que faz do Xbox One e do PlayStation 4 basicamente PCs. Os consoles são movidos por uma CPU customizada, chamada Jaguar, criada pela AMD e que possui 8 núcleos (cores). A diferença é, basicamente, o clock: no Xbox One, 1.75GHz, enquanto no PS4, 1.6GHz. Na prática? Nenhuma diferença.

Em relação ao processador gráfico (GPU, ou placa de vídeo em termos mais práticos), as diferenças são maiores. Ambos usam modelos da série Radeon 7000, porém o PS4 leva vantagem nesse ponto: seu processador gráfico tem mais unidades de processamento (18 contra 12). E embora a GPU do Xbox One tenha um clock um pouco maior do que a do PS4 (853MHz contra 800MHz), em termos de poder de processamento gráfico o PS4 leva vantagem.

Resumindo, o Xbox One tem uma CPU mais poderosa enquanto o PS4 leva vantagem na GPU. Tecnicamente o PS4 é o console mais poderoso entre os dois. Na prática, alguns jogos multi-plataforma (os third-party) vão rodar com uma resolução mais alta ou com o frame-rate mais constante (ou alto) no PS4. Essa diferença existe, mesmo que muitas vezes seja imperceptível e difícil de identificar.

Vencedor: PS4

Round 11: VR

A Sony largou na frente na corrida pelo mercado de realidade virtual nos consoles. O PlayStation VR (PSVR), lançado em outubro de 2016, é um headset de realidade virtual para o PS4 que pode ser usado em conjunto com o DualShock 4 ou os controles Move. O suporte para o acessório ainda está engatinhando, mas já existem jogos exclusivos (como o Batman: Arkham VR) e também aqueles que possuem um modo voltado para o headset (como o Resident Evil 7). Em relação as especificações, o PSVR fica no meio tabela: melhor que as solução VR para telefones (Daydream ou Gear VR) mas não chega ao nível de soluções mais robustas (e caras) como o Vive da HTC e o Oculus Rift. Em junho passado a Sony anunciou que vendeu mais de 1 milhão de unidades do PSVR. Um número considerável pelo preço cobrado no acessório. Mas mesmo assim a realidade virtual continua sendo um nicho de mercado nos consoles (basta comparar esse número com o número total de consoles vendidos; ou seja, somente uma pequena fração comprou o PSVR até agora).

PSVR

E a Microsoft? A empresa simplesmente não oferece uma solução VR para o Xbox One. A plataforma da empresa, voltada para PCs, se chama Windows Mixed Reality e somente no final do ano (2017) chegou ao mercado consumidor. Muitos analistas apostam que a Microsoft deixou para 2018 o lançamento da sua plataforma de realidade virtual. Mas, para ser justo, se você tem um Oculus Rift a empresa oferece uma app gratuíta disponível na Oculus Store que te permite fazer o streaming de jogos de Xbox One diretamente para o headset. Mas não espere uma imersão total já que os games não foram desenvolvidos para o Rift. Além disso, você precisa de um PC para fazer o streaming funcionar.

Resumindo, hoje a Sony oferece uma boa (e cara) solução VR para o PlayStation 4. Do lado da Microsoft, na espera por alguma coisa possivelmente em 2018.

Vencedor: PS4

Round 12: Preço

Em 2013, a Microsoft optou por lançar o Xbox One em um pacote junto com o Kinect, aumentando o preço final do console em $100. No lançamento, Xbox One custava $500 enquanto o PS4 era vendido por $400. Resultado? Uma grande vantagem em vendas para o console da Sony, algo que até hoje a Microsoft tenta corrigir. Mas desde então a Microsoft mudou de estratégia e passou a vendar o console sem o Kinect. O que temos hoje em dia é, geralmente, um equilíbio entre os preços dos consoles. Um Xbox One S está saindo por algo em torno de $280 enquanto o PS4 está na casa dos $300. Isso sem contar as promoções que aparecem com frequência e podem mudar essa balança.

Vencedor: Empate

PS4 ou Xbox One? Qual é o melhor?

PS4 e Xbox One são dois consoles competentes, com ótimos jogos. Mas afinal, quem leva a melhor em uma disputa Xbox One vs PS4? Bom, o melhor console vai depender da situação de cada um:

Se você já tem um Xbox 360 e ainda não aproveitou alguns dos melhores jogos da geração passada (como Red Dead Redemption, Alan Wake, todas as versões de Gears of War, games da série Call of Duty, etc.), o Xbox One pode ser a melhor opção. A retrocompatibilidade do console é uma grande vantagem. Já são mais de 400 jogos suportados e a lista não para de crescer. Com o Xbox One você vai aproveitar boa parte daqueles jogos de 360 que você ainda não terminou, além de ganhar acesso aos jogos da nova geração. Dá até para usar os controles do Xbox 360 através de um PC, fazendo o streaming dos jogos a partir de um Xbox One. Ou seja, com o Xbox One boa parte do seu investimento na geração passada ainda será útil!

Se você é um gamer mas que também curte assistir filmes em Blu-Ray ou então séries através do Netflix/Amazon, mais uma vez o Xbox One pode ser a melhor opção para você. Quando o assunto é mídia, o Xbox One deixa o PlayStation 4 para trás. O console tem uma entrada HDMI onde você pode conectar seu serviço de TV por assinatura para gravar seus programas favoritos. Se você tem uma TV 4K (Ultra HD) e quer aproveitá-la ao máximo, o Xbox One S é o único console do mercado que oferece streaming em 4K junto com o leitor Blu-Ray UHD. A questão aqui é colocar na balança o que é mais importante para você! Talvez você não tenha acesso aos melhores games exclusivos com o Xbox One, mas terá um ótimo console capaz de rodar todos os jogos multi-plataforma além de ser um poderoso centro de entretenimento digital (mídia).

Agora se tudo o que te interessa são os jogos, então fica mais fácil definir um vencedor no embate Xbox One vs PS4. A não ser que você seja um fã incondicional de Forza, Gears of War ou Halo, então o PS4 é a melhor opção já que é no console da Sony que você vai encontrar a maior quantidade e qualidade de games exclusivos.

Olhando para frente (mais conhecido como futuro)

O futuro próximo do PS4 está garantido. A safra de exclusivos previstos para o console até o final de 2018 é excelente. Temos a sequência de The Last of Us, o novo God of War, Spider-Man, Death Stranding, o aguardado remake de Final Fantasy VII e Days Gone. Isso sem falar nos jogos indie que desembarcam no console quase que semanalmente. Outro ponto positivo do lado da Sony é o PSVR; apesar do início mais lento, a quantidade de jogos para o acessório de realidade virtual está aumentando a cada mês.

Do lado da Microsoft o futuro ainda reserva algumas interrogações. O trabalho feito por Phil Spencer e sua equipe desde o lançamento desastroso do console em 2013 tem sido excelente. Mas apesar disso fato é que o PS4 continua com uma confortável vantagem em número de vendas e não existe qualquer indício de que essa tendência vai mudar. A empresa sabe da importância dos exclusivos e o recente lançamento de Cuphead só tornou isso mais evidente. Olhando para um horizonte até o final de 2018, a previsão não é das melhores, principalmente quando comparamos com a safra prevista do lado da Sony. Sea of Thieves, State of Decay 2 e Crackdown 3 dificilmente mudarão a situação do console. A Microsoft parece apostar em uma estratégia diferente com o lançamento do Xbox One X (antigo projeto Scorpio) e o programa Xbox Play Anywhere. Se o console não pode ter os melhores exclusivos, que ele seja então a melhor plataforma para rodar os jogos multi-plataforma, seja no Xbox One X ou em um PC com Windows 10.

André Machado

André Machado é um gamer hardcore, desenvolvedor na Ubisoft Montreal, blogger, youtuber e ex-stargamer. :) Saiba mais sobre o autor.

1 Comment
  1. Aelson dos santos
    16/11/2017 em 06:50 Responder

    E muito bom o.problema ps4 xbox e jogo muito diferentes

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